Le Bal Masqué

Masquerade! Every face a different shade...

Wednesday, November 11, 2009

Where Were You When the Lights Went Out?

É o título de uma daquelas comédias inocentes e deliciosas estreladas por Doris Day. Sempre me lembro dela quando a cidade (o estado, o país) fica às escuras.
Adoro o final, quando nove meses após o blecaute, acontece um baby boom.

No apagão em 1999, eu estava na sala de aula da Letras e tive de praticamente adivinhar qual era o meu carro, estacionado no breu da cidade universitária. Dirigi de São Paulo a Santo André sem ver uma luz que não fossem os faróis dos carros.

Ontem eu estava na casa da minha mãe, era aniversário dela e tínhamos velas prontas, que não foram assopradas.

Ficamos lá, as quatro mulheres da família, conversando como há tempos não fazíamos. Sem interrupções, sem distrações, sob a luz fraca e trêmula. Como teria sido se vivêssemos 150 anos atrás.

Tuesday, November 10, 2009

No Teu Deserto

Volto a este meu abrigo abandonado e encoberto pelas areias do tempo para falar sobre um livro sensível, que tem a cara que este blog romântico-viajante um dia já teve. "No Teu Deserto", do português Miguel Sousa Tavares, é um quase romance ambientando durante uma aventura no Saara. Nostálgico e lindo. Se perceber que alguém ainda aparece por aqui, me empolgo e falo mais dele.

Friday, August 22, 2008

Desabafo

Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah!

Tuesday, May 06, 2008

Maria Emília

O Rio de Janeiro, para mim, já teve muitas caras e anfitriões.
Mas o primeiro rosto que associei à cidade maravilhosa foi o da Maria Emília.
Ela era amiga da minha avó. Na verdade, tinha sido professora de corte e costura - ou talvez de boas maneiras, em Campinas. E minha avó foi sua aluna.
Quando eu era criança, a Maria Emília era a pessoa mais velha que eu conhecia. Pelas minhas contas, tinha mais de 70 anos, e era viúva de um major do exército.
Pequenina, com os cabelos tingidos de vermelho vivo, ela tinha o sotaque carioca carregado, a voz firme e uma sisudez que me amedrontava e divertia ao mesmo tempo.
A Maria Emília vinha passar temporadas em São Paulo, mas toda vez que íamos ao Rio, passar na rua São Clemente, em Botafogo, era programa obrigatório.
Eu detestava. O apartamento da Maria Emília cheirava a xixi de gato, e eu queria mais era passear no bondinho.
Ela pegava os bichanos abandonados na rua para cuidar. Chegou a ter doze, todos batizados com diminutivos: Luluzinha, Chiquinho, Manézinho, Mariazinha...
Eu e meus irmãos adorávamos perguntar: “E a Mariazinha?”
“Caiu da janela!”, ela contava.
“E a Luluzinha?”
“Teve cinco gatinhos!”
Aos poucos, foram-se os felinos, mas outros gatunos vieram.
Com 90 anos, Maria Emília trazia "namorados" várias décadas mais novos para morar consigo (Na época, eu achava que ela estava ficando lelé, mas hoje penso que talvez fosse o desespero da solidão).
Cada um levou um pouco, até a Maria Emília ficar sem móveis, sem apartamento, sem dinheiro.
Das últimas vezes, quando minha tia lhe telefonava, ela achava que estava falando com a minha avó.

Em janeiro deste ano, a Maria Emília morreu. Tinha 102 anos.

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Thursday, March 13, 2008

Leitura obrigatória

Enquanto eu não volto definitivamente, deixo aqui a indicação de um blog imperdível, que tenho acompanhado diariamente: Casa de Luanda, mantido por duas das pessoas que mais admiro e que muitos conhecem do Casa da Lagoa.
Recentemente, eles trocaram a Cidade Maravilhosa por Angola, em nome de um ideal e de muita aventura. Cada observação e cada testemunho deles é uma aula sobre esse país africano e sobre o mundo em que vivemos. Corre lá.

Wednesday, March 05, 2008

Sinal de fumaça

Às vezes o silêncio é necessário.
Mesmo que incomode ou decepcione.
Que desperte saudade da voz que se calou.

Muitos me perguntam por que eu não escrevo mais.
Indagam o motivo da minha ausência.
Eu tentei explicar. Mas a razão é chata e rasa.

“Talvez eu volte, um dia eu volto, quem sabe”.

Tuesday, October 30, 2007

Londres na Tela 2

Impossível falar de filmes com o charmoso acento britânico sem falar de Richard Curtis.
Sabe aquelas comédias sobre as aventuras e desventuras amorosas de um inglês atrapalhado e romântico, geralmente interpretado por Hugh Grant? São quase sempre obras desse roteirista que começou a carreira trabalhando com Rowan Atkinson (o Mr. Bean).
Não à toa, ele costuma dar um jeito de incluir uma aparição insólita do amigo comediante em suas histórias. Curtis é responsável pelos roteiros dos dois "Bridget Jones", de "Simplesmente Amor", "Um Lugar Chamado Notting Hill" e "Quatro Casamentos e Um Funeral". Vira manchete deste blog quem nunca teve chance de conferir esses filmes.
Eu assisti pelo menos 4 vezes cada um, e é tarefa impossível indicar um preferido, ou a minha cena favorita. Aí vão alguns destaques:
- a declamação do poema "Funeral Blues", de W.H Auden, no velório que intercala os quatro enlaces.
- o impagável flatmate de Hugh Grant, e a captação perfeita da atmosfera de Portobello Road e arredores, em "Um Lugar Chamada Notting Hill". Ah, tem também a frase de Julia para Hugh, mais ou menos assim: "Eu sou apenas uma garota pedindo para um garoto que a ame".
- As fossas regadas a vinho, cigarro e músicas de décadas passadas de Bridget Jones. E o aniversário dela, quando Mark Darcy aparece...e Daniel Cleaver também.
- O casamento de Keira Knightley, e a declaração que ela recebe na noite de Natal em "Simplesmente Amor".
Se lembrar de mais alguma, atualizo o post.

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