A Casa do Lago

“‘A Casa do Lago’ é um filme ruim”, devem ter declarado vários críticos. E, se eu fosse analisar friamente, concordaria.
Os protagonistas, Keanu Reeves e Sandra Bullock, são lindinhos, mas não podem ser considerados os melhores atores disponíveis no mercado hollywodiano.
E quem tem uma boa quilometragem em filmes românticos é capaz de sacar o segredo da história na primeira meia hora.
Mas e daí? Eu não sou fria. Muito pelo contrário. E confesso que adorei o filme.
Não há coração vagabundo que passe imune a um romance como esse. Sandra é Kate, uma médica workaholic que se muda da tal casa do título. Ela deixa na caixa de correio um bilhete de boas-vindas ao futuro morador. Quem pega a correspondência é o arquiteto Alex, vivido por Keanu. Eles iniciam uma comunicação por escrito e logo descobrem: estão em anos diferentes. Ele em 2004, ela em 2006.
A troca de letrinhas resulta em paixão bem no estilo “Nunca Te Vi, Sempre Te Amei”.
E existe algo mais romântico do que se apaixonar através de cartas?
Acredito que, na última década, o e-mail resgatou um pouco disso. Seduzimos e somos seduzidos através de mensagens eletrônicas. Flertamos, nos declaramos, abrimos o coração e a alma, se não por meio da caligrafia, com certeza em caracteres Times New Roman.
Não acho que isso substitua o tête-à-tête, mas é uma delícia passar o dia pensando o que escrever para aquela pessoa especial e sentir um frio na barriga a cada chegada do pombo-correio virtual. E um texto bem escrito (e por bem escrito, não estou considerando apenas o ortograficamente correto) é um turn on.
Outro tema que me é caro -- e “A Casa do Lago” aborda -- é o tempo. Por conta do gap de 24 meses entre os dois personagens, há a dificuldade de estarem juntos.
Eu tenho verdadeira fascinação por romance que une passado, presente e futuro, que faz dois momentos distintos e distantes se tocarem de alguma maneira. Adoro “Em Algum Lugar do Passado”, “Kate & Leopold”, "Quero Ser Grande", "De Repente 30" e “De Volta para o Futuro”. Já li vários livros de viagens no tempo. O mais recente deles foi “The Time Traveller´s Wife”, um best-seller do verão passado na Inglaterra.
Gostaria de falar desse livro aqui. Mas aí já é tema para um outro tempo, um outro post.
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